Canto I, verso 256-257

 Meríones mata duas amazonas, Máscula e Termodossa. Os versos são:


τῇ μὲν ἄρ' ἐς κραδίην ἐλάσας δόρυ, τῇ δ' ὑπὸ νηδὺν
 φάσγανον ἐγχρίμψας· τὰς δ' ἐσσυμένως λίπεν ἦτορ.

Em uma, a lança atingiu o peito; em outra, no ventre

cravou a espada.  A alma logo as deixou. 


Além da  sonoridade meio "ríspida" de  φάσγανον ἐγχρίμψας (phásganos enkhrímpsas) para o golpe de espada que Meríones dá em Termodossa, ainda temos o segundo hemistíquio, com a expressão λίπεν ἦτορ (lípen etor). Quinto é interessante ao usar esse termo, ἦτορ, que em Homero é usado ora como um órgão com localização bem específica ("peito"), ora como a sede das emoções ou da razão, mas nunca com o sentido aqui usado por Quinto, de "alma", isto é, daquilo que vai embora do corpo quando alguém morre. E Quinto o usa também em outro verso, pouco antes deste. O termo em Homero costuma ser psykhé  (exemplo: morte de Pátroclo, Ilíada. 16, verso 866). 

Uma mudança na percepção destes termos já no período imperial? Um desejo consciente de cunhar novas formulações que se afastem de Homero? 

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