31/03/2024: As repetições em Quinto
[...] Estênelo matou o forte Cabiro,
que de Sesto
viera sedento pela guerra
com Argivos, mas
não mais tornaria à pátria.
Sua morte
enfureceu o coração de Páris, 270
e ele disparou contra
Estênelo; mas não logrou
feri-lo, embora ansiasse,
pois a flecha foi desviada
alhures, por
onde a guiavam implacáveis Queres:
matou na hora
Evenor, o de cinturão brônzeo,
que de Dulíquio viera
para lutar com Troianos. 275
Sua morte abalou
o filho do nobre Fileu:
Agílimo, qual
leão sobre o rebanho de ovelhas,
saltou: todos
tremeram ante o homem brutal.
(Canto I, versos 267-278)
Uma questão ao traduzir Quinto, assim como Homero, é a das repetições. Até que ponto mantê-las como efeito estético? Lorena leu uns trechos de minha tradução e estranhou, perguntando se eu precisava mesmo manter algumas delas. Nas cenas de batalha que estou traduzindo agora, elas são ainda mais comuns. Talvez aqui elas tenham o efeito de nos causar a impressão de que estamos confinados ao espaço opressor da guerra, onde tudo se restringe ao campo de batalha e o horizonte e as esperanças são restritas: a vitória ou a morte, que se sucedem alternando-se sem parar. Quinto era um homem da escrita, além do mundo da tradição oral: acho que ele devia querer alguma coisa com tanta repetição.
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